Há livros que parecem que chamam por nós e nos vêm parar às mãos sem sabermos muito bem o porquê. Foi o caso de “Os anos de ouro da Pulp Fiction portuguesa”, de Luís Filipe Silva. Bem, sem saber muito bem porquê, não é bem o caso: acho que Quentin Tarantino tem a culpa toda, descubram agora a razão!
Andava eu na minha incursão habitual pela Bertrand quando este título se destaca dos restantes e atrai a minha atenção. Eu respondi ao chamamento e jurei a mim mesma que o livro havia de ser meu mais tarde. Como de facto!
Trata-se de uma antologia que diz reunir os melhores contos do século XX e que prova que a Pulp Fiction literária existiu em Portugal através de autores como Ruy de Fialho, João Henriques, Orlando Moreira ou Tiago Rosa. Mas se vos disser que há uma diferença entre provar que a Pulp Fiction existiu em Portugal e entre provar que ela poderia ter sido possível no nosso querido rectângulo? Isso mesmo, caí num engodo, mas foi um bom engodo do qual não me importei. Batia tudo tão certinho! A introduzir cada conto vinha uma biografia tão real de cada autor e tudo! Mas segundo o que parece os 13 contos publicados no livro são provenientes de um concurso literário organizado para o efeito e as 13 biografias introdutórias foram ficcionadas por Luís Filipe Silva e a sua equipa. Quanto à identidade dos verdadeiros autores encontra-se camuflada ao longo do livro, isto para quem quiser o desafio de tentar identificá-los.
“Nada melhor do que, a partir de um concurso literário, ‘inventar’ uma ‘pulp fiction’ portuguesa para os apresentar. Criar autores e biografias e uma história do género ficcional, com heróis e um dinamismo literário que, efectivamente, não tivemos”. Tudo para provar que teria sido possível, “de forma legítima, que super heróis e aventureiros percorressem as ruas de Lisboa”. É o que avança o autor ao jornal Público e arrisco-me a dizer que o objectivo foi conseguido em toda a sua plenitude, porque depois de saber a verdade ainda estou convencida de que tudo é real. Para quem gosta de histórias com acção, detectives, espiões, agências secretas, extraterrestres e muito, muito mais, este é sem dúvida o livro ideal. Algumas das publicações em que supostamente os contos foram publicados existem outras não: isto traz-nos outro desafio, descobrir o que foi real e o que foi inventado. Boa sorte e não se deixem enganar.